Thursday, April 24, 2008

Os meninos e meninas mais únicos do mundo, os filhos únicos



É bom ter irmãos, mas também é maravilhosos puxar pela imaginação e descobrir irmãos, amigos e companheiros de brincadeira onde menos esperamos: na natureza ou noutros meninos, que por serem filhos únicos vêem o mundo de uma forma diferente e tão única como eles…
(João sem irmãos, K editora)

Tuesday, April 22, 2008

A geração do ecrã




Alice Vieira , Escritora



Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna, numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.

Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.

Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos - bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se.

Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a sr.ª ministra - que não entra numa escola sem avisar…- é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas).

Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!

O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social.

Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador.

Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar.

Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.

E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.

E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.

E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.

A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.

A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.

A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.

E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.

E nós deixamos.

Monday, April 21, 2008

Os amigos e as amigas...

Há meses que não escrevo… aqui entenda-se. Não por falta de vontade mas por falta de tempo, que talvez seja um equivalente a desmotivação, falta de imaginação ou simplesmente preguiça.
Mas a recente insistência da minha amiga Catarina Marques fez-me ter uma súbita vontade de colocar aqui qualquer coisa. Para tal, nada melhor do que um dia de cansaço. 1h30 da manhã. E nenhum motivo aparente. Pelo menos se ficar mau eu desculpo-me a mim própria! Mas não podia deixar a minha querida amiga, que apesar de ser metro e meio de gente tem quilómetros de sabedoria humana, sem uma única palavra…
Por isso mesmo, este texto não podia ser outra coisa que não uma ode à amizade, em todas as suas formas e feitios…
Porque pode ser um grande chavão mas os amigos são mesmo o melhor do mundo… quando verdadeiros estão sempre lá… não interessa onde, nem como chegam até nós, mas quando os chamamos para chorar, contar um segredo, ou simplesmente reclamar da vida eles vêm… uns em pessoa, outros via sms, outros ligam só para ouvir a nossa voz, ou então através do maravilhoso mundo da internet…
Nestes últimos tempos tenho precisado muito de sentir o verdadeiro sentido da amizade e descobri uma coisa nova na minha vida. É que por vezes é preciso que os amigos nos digam para percebermos o quanto nos fazem falta e o quanto estamos carentes da sua amizade… Se há alturas em que o pedimos, existem outras em que é preciso que quem nos conhece olhe para nós e veja o que está em falta. Quando isso acontece, percebemos que não dá para ir vivendo a fazer de conta que estamos bem assim, com as nossas rotinas e os nossos dias a passar.
Percebi isso…
… quando há pouco tempo acordei doente e tive de pedir a uma amiga para me levar ao hospital. Ainda não tinha sequer conseguido vestir-me e já ela estava à minha porta.
… quando essa mesma amiga me diz ‘dedico uma noite só para ti, para fazeres o que quiseres, porque estás a precisar’.
… quando alguém me diz ao telefone e em conversa de circunstância… ‘estás bem?’ e com esta frase me surpreende, seja pelo profundo conhecimento que tem de mim ou pela despreocupação assumida com o meu disfarce humorístico…
… quando me dizem.. ‘eu vou ter contigo… já’
… quando insistem em arranjar teorias para as minhas doenças, os meus problemas, mas também as respectivas curas
Os meus amigos são como uma publicidade da Benneton - um misto de gente de todos os feitios, tamanhos e estilos. Mas eu gosto de todos eles, cada um à sua maneira…
A minha mãe tem um destaque especial, porque é a minha melhor amiga e também a que indiscutivelmente me conhece melhor.
As minhas meninas são os meus braços e pernas e até a cabeça por vezes.
Os meus meninos são os meus irmãos e primos e tudo o que podem ser à minha volta para se rirem dos meus disparates ao mesmo tempo que vão dizendo uma ou outra frase que me faça pensar…
Os amigos são uma parte importante da nossa vida… são talvez aquela onde as relações são mais verdadeiras e duradouras… por isso é bom tê-los e mais divertido ainda, mantê-los.
(Toma lá amiga Catarina)